O minuto
- Existem cinco caminhos principais para comprar crédito de carbono: marketplaces online e varejistas, corretores (brokers), compra direta de desenvolvedores de projeto, marketplaces ligados a registros e bolsas ambientais para grandes volumes
- Compradores pequenos costumam começar por marketplace ou varejista; empresas que compram milhares de toneladas tendem a usar brokers, contratos diretos ou acesso a bolsa
- Seja qual for o caminho, a compra só termina quando os créditos são aposentados num registro público em nome da sua organização e você guarda o certificado
Se você quer comprar crédito de carbono, a primeira decisão não é qual projeto escolher, e sim por qual canal comprar. Uma empresa que compensa um único evento, uma empresa média que cobre a pegada anual e uma multinacional que assina contratos plurianuais de remoção usam canais diferentes, com volumes mínimos, preços e documentação diferentes. Este guia compara esses caminhos, mostra o passo a passo da compra e lista o que verificar antes de pagar. Se você está começando no tema, leia antes o que é crédito de carbono e como funciona.
Guia do crédito de carbono
- Crédito de carbono: o que é e como funciona (comece aqui)
- Compensação de carbono: o que é e como difere do crédito
- Adicionalidade: o teste de qualidade que mais pesa
- Preço do crédito de carbono em 2026
- Como comprar crédito de carbono: onde e como (você está aqui)
- Due diligence antes de comprar: registro, selo CCP, alertas
- Selo CCP: o que garante para quem compra
Transparência: O ESG Minute faz parte do grupo B21, que também opera a Credita Carbon, varejista de créditos de carbono. Este guia não ranqueia nem recomenda vendedores.
As principais formas de comprar crédito de carbono
O Carbon Offset Guide descreve seis formas de adquirir créditos, que podem ser agrupadas em cinco caminhos práticos para a maioria dos compradores.
1. Marketplaces online e varejistas
Varejistas e marketplaces online vendem créditos a partir de um catálogo de projetos, em geral com pagamento por cartão e certificado imediato. O Carbon Offset Guide aponta que o varejo é a opção mais conveniente para pessoas físicas e pequenas empresas, mas tende a ser a opção de preço mais alto e pode oferecer pouca transparência sobre qualidade. Esse caminho serve para compras pequenas e ocasionais, de uma fração de tonelada até alguns milhares de toneladas.
2. Corretores (brokers)
Brokers são intermediários que buscam créditos em vários projetos e negociam em nome do comprador. Segundo o Carbon Offset Guide, eles dão acesso rápido a tipos variados de projeto e mais informação do que uma bolsa, com custo maior do que a compra direta e possível viés quando o broker é dono dos projetos que vende. Esse caminho serve para empresas com volumes recorrentes que querem apoio na originação, mas não têm equipe interna de carbono.
3. Direto do desenvolvedor de projeto
O comprador pode adquirir créditos ainda não vendidos de um desenvolvedor (compra à vista, ou spot) ou assinar um contrato a termo, muitas vezes chamado de ERPA (Emission Reduction Purchase Agreement), para créditos que o projeto vai entregar no futuro. O Carbon Offset Guide lista como vantagens o custo menor e o conhecimento direto do projeto; as desvantagens são a dificuldade de encontrar estoque disponível e, nos contratos a termo, a espera de dois a três anos e o compromisso de longo prazo. Esse caminho serve para compradores maiores, com capacidade de fazer a própria due diligence.
4. Marketplaces ligados a registros
Alguns padrões operam ou hospedam lojas próprias. O Gold Standard Marketplace vende créditos de vários desenvolvedores por tonelada e os aposenta no Gold Standard Impact Registry em nome do comprador. Esse caminho serve para quem quer um vínculo direto entre a compra e o registro.
5. Bolsas ambientais
Bolsas listam contratos padronizados de carbono para membros e negociam grandes volumes. O Carbon Offset Guide as descreve como rápidas e com preços competitivos, mas com pouca informação de qualidade e inviáveis para compras pequenas. O acesso costuma ser por associação ou por meio de um broker que seja membro. Esse caminho serve para traders, grandes compradores corporativos e intermediários.
Comparação dos caminhos para comprar crédito de carbono
| Caminho | Indicado para | Prós | Contras | O que você recebe |
|---|---|---|---|---|
| Marketplace online ou varejista | Pessoas físicas, pequenas e médias empresas, eventos | Rápido, pagamento por cartão, volumes pequenos, certificado imediato | Em geral o maior preço por tonelada; informação de projeto varia por vendedor | Certificado de aposentadoria com projeto, quantidade e beneficiário; confira se ele leva ao registro |
| Broker | Empresas com volume recorrente e sem equipe interna | Acesso a muitos projetos, apoio na originação, condições negociadas | Margem do intermediário; possível conflito se o broker é dono de projetos | Créditos transferidos para sua conta no registro ou aposentados em seu nome, com números de série |
| Direto do desenvolvedor (spot ou a termo) | Grandes compradores com capacidade de due diligence | Custo menor, conhecimento direto do projeto, garantia de oferta futura | Estoque difícil de achar; entregas a termo podem levar anos | Transferência ou aposentadoria no registro conforme contrato, com números de série |
| Marketplace ligado a registro | Quem quer rastro direto no registro | Aposentadoria feita no registro do próprio padrão | Limitado aos projetos daquele padrão; compra pode não ser reembolsável | Certificado com link para a aposentadoria no registro |
| Bolsa ambiental | Traders, grandes compradores, intermediários | Transparência de preço, liquidez, liquidação rápida | Exige associação ou broker; menos informação por projeto; não serve para volumes pequenos | Créditos entregues na sua conta no registro; a aposentadoria é feita por você |
Exemplos de marketplaces e vendedores
Os exemplos abaixo estão em ordem alfabética e servem apenas para ilustrar como cada caminho funciona na prática. As informações vêm do site de cada organização, acessado em setembro de 2026. A inclusão não é recomendação.
- ACX (antiga AirCarbon Exchange): bolsa digital de créditos de carbono e certificados de energia renovável que informa ter mais de 190 membros ativos em mais de 30 países e cita operações regionais em Singapura e no Brasil.
- Carbonmark: marketplace online em que o comprador escolhe projeto e quantidade, paga por cartão ou transferência bancária e recebe um certificado público de aposentadoria. A empresa afirma aceitar compras de 0,001 a 1.000.000 de toneladas e oferece API para aposentadorias automatizadas.
- ClimeCo: vende créditos de carbono em uma loja online, em compras avulsas ou recorrentes a partir de um único crédito, com certificado emitido após a compra.
- Gold Standard Marketplace: vende créditos de vários desenvolvedores e os aposenta no Gold Standard Impact Registry. Segundo o marketplace, créditos aposentados não são reembolsáveis, e organizações que compram US$ 10.000 ou mais em 12 meses precisam preencher um cadastro de “Approved Buyer” antes da emissão da fatura.
- Puro.earth: padrão de remoção de carbono que emite CO2 Removal Certificates (CORCs). A organização informa que encerrou seu marketplace online em 2022 e não atua como contraparte: o comprador negocia compras spot ou contratos de offtake com fornecedores credenciados ou por plataformas de terceiros e aposenta os CORCs na própria conta no Puro Registry.
- Terrapass: varejista que oferece compensações avulsas e por assinatura para pessoas físicas e empresas, com créditos certificados por Gold Standard, Verified Carbon Standard, Climate Action Reserve ou American Carbon Registry.
- Xpansiv CBL: mercado spot de commodities ambientais que se descreve como o maior do mundo, com mais de 1.100 participantes, liquidação no mesmo dia por uma rede de mais de 15 registros e contratos padronizados como GEO CCP e contratos elegíveis ao CORSIA.
Como comprar crédito de carbono passo a passo
- Defina o objetivo e a alegação. Decida para que servem os créditos: compensar emissões residuais, sustentar uma alegação de produto ou evento, ou cumprir uma obrigação regulatória. A alegação determina o tipo, o volume e a qualidade necessários. Veja carbono neutro x net zero para entender como as alegações diferem.
- Escolha entre redução (evitação) e remoção. Créditos de redução (por exemplo, energia renovável ou desmatamento evitado) impedem emissões; créditos de remoção (por exemplo, reflorestamento ou biochar) retiram carbono da atmosfera. Remoções por engenharia, como o biochar, são negociadas muito acima da média do mercado, como mostram os dados de preço abaixo.
- Escolha o padrão. Entre os padrões mais comuns estão Verra (VCS), Gold Standard, Climate Action Reserve, American Carbon Registry e, para remoções por engenharia, Puro.earth. Verifique se a metodologia tem o selo Core Carbon Principles (CCP) do ICVCM, se isso for relevante para a sua alegação.
- Peça cotações. Solicite a dois ou três vendedores de caminhos diferentes a mesma especificação: projeto, safra (vintage), padrão, volume e prazo de entrega. Pergunte se o preço inclui a aposentadoria e as taxas.
- Confira os créditos no registro. Antes de pagar, busque o projeto e os números de série no registro público (por exemplo, o Verra Registry) e confirme que os créditos existem, foram emitidos e ainda não foram aposentados.
- Assine o contrato. Em compras maiores, o contrato deve trazer os números de série ou as condições de entrega, quem aposenta os créditos e quando, e o que acontece se os créditos forem invalidados ou não entregues.
- Aposente os créditos em seu nome. A aposentadoria tira os créditos de circulação de forma permanente; o Carbon Offset Guide lembra que créditos aposentados não podem ser transferidos de novo. O campo de beneficiário deve trazer o nome da sua organização e, de preferência, a finalidade e o ano de referência.
- Guarde o certificado e o link do registro. Arquive o certificado de aposentadoria, os números de série e o link do registro junto com o inventário de emissões, para que auditores e partes interessadas possam verificar a alegação.
O que verificar antes de pagar
Uma lista curta antes do pagamento cobre a maior parte dos riscos:
- Os créditos aparecem num registro público, com status de emitidos e números de série iguais aos da oferta.
- O projeto tem adicionalidade: a redução ou remoção não aconteceria sem a receita dos créditos.
- A metodologia, a safra e o tipo de projeto combinam com a alegação que você pretende fazer.
- O vendedor informa quem aposenta os créditos, em nome de quem e quando você recebe a comprovação.
- Para créditos ligados a transferências internacionais, se é necessário ou oferecido ajuste correspondente sob o Artigo 6 do Acordo de Paris.
Para o processo completo, incluindo permanência, vazamento e riscos de reputação, veja o guia de due diligence antes de comprar crédito de carbono.
Quanto custa um crédito de carbono
O levantamento mais citado sobre preços no mercado voluntário é o State of the Voluntary Carbon Market 2025, da Ecosystem Marketplace, que cobre transações informadas para 2024:
- O preço médio de todos os créditos caiu de US$ 6,71 por tonelada de CO2e em 2023 para US$ 6,34 em 2024.
- O volume transacionado informado foi de 84,4 milhões de toneladas, com valor total de US$ 535,1 milhões.
- Créditos de florestas e uso da terra ficaram, em média, acima de US$ 9 por tonelada.
- Créditos de produção de biochar, um tipo de remoção por engenharia, tiveram média acima de US$ 165 por tonelada, mas representaram menos de 1% das transações informadas.
A Ecosystem Marketplace ressalta que esses números são estimativas mínimas, baseadas nos dados dos participantes da pesquisa, e que os preços individuais variam com descontos por volume e qualidade do projeto. Preços de varejo costumam ficar acima dessas médias. Para uma visão mais ampla do que os compradores pagam em 2026, veja preços de créditos de carbono em 2026.
Comprar crédito de carbono no Brasil
Compradores brasileiros podem usar qualquer um dos caminhos acima, mas alguns pontos locais importam:
- Faturamento em reais. Comprar de um vendedor estabelecido no Brasil permite pagamento e nota fiscal em reais, o que pode simplificar a contabilidade em comparação com uma compra internacional. Peça um documento que identifique o projeto, os números de série e a aposentadoria.
- Lei 15.042/2024 e o SBCE. A Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024, instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Ela define o CRVE (Certificado de Redução ou Remoção Verificada de Emissões) como ativo transacionável que representa uma tonelada de CO2e, segue metodologia credenciada e tem registro no SBCE. Créditos do mercado voluntário só se tornam CRVE se forem originados de metodologia credenciada pelo órgão gestor do SBCE, verificados por entidade independente e inscritos no Registro Central do SBCE (art. 44).
- Quem é regulado. Instalações que emitem acima de 10.000 tCO2e por ano precisam monitorar e relatar; acima de 25.000 tCO2e, também precisam fazer a conciliação periódica de obrigações (art. 30). Os operadores regulados podem usar CRVEs até o percentual máximo definido no Plano Nacional de Alocação (art. 12). A lei prevê implementação em fases, começando por um período de regulamentação (art. 50). Veja nosso explicador do SBCE.
- Tributos e valores mobiliários. As receitas da venda de créditos de carbono não estão sujeitas a PIS/Pasep e Cofins (art. 19), e créditos de carbono negociados no mercado financeiro e de capitais são valores mobiliários sujeitos à Lei da CVM, enquanto colocações privadas fora desse mercado não se sujeitam à regulamentação da CVM (art. 14).
- Infraestrutura de bolsa. A B3 informa que lançou em 2023 um ambiente de registro de créditos de carbono e anunciou parceria com a ACX para dar a seus clientes acesso a uma plataforma global de negociação.
Entre as plataformas de negociação, Climate Impact X e Carbonplace anunciaram fusão.
Perguntas frequentes sobre comprar crédito de carbono
Pessoa física pode comprar crédito de carbono?
Sim. Varejistas e marketplaces online vendem para pessoas físicas, muitas vezes em pequenas quantidades e por cartão. Bolsas e contratos diretos com desenvolvedores, em geral, não são pensados para compradores pequenos.
Qual é a compra mínima?
Depende do caminho. Alguns marketplaces online aceitam frações de tonelada, lojas de varejo costumam começar em um crédito, e bolsas e contratos com desenvolvedores miram grandes volumes.
Os créditos ficam comigo depois da compra?
Ou você os mantém na sua própria conta no registro, ou o vendedor os aposenta em seu nome. Para uma alegação de compensação, o que importa é que estejam aposentados em seu nome e que você tenha o certificado e os números de série.
Dá para pedir reembolso depois da aposentadoria?
Em geral, não. A aposentadoria é permanente, e o Gold Standard Marketplace, por exemplo, informa que créditos aposentados não são reembolsáveis.
Crédito de carbono comprado no Brasil vale para o SBCE?
Só se cumprir os requisitos de CRVE da Lei 15.042/2024: metodologia credenciada, verificação independente e inscrição no Registro Central do SBCE. Os demais seguem como créditos do mercado voluntário.
Leia também: o que é compensação de carbono.
Fontes
- Carbon Offset Guide: How to acquire carbon credits
- Ecosystem Marketplace: State of the Voluntary Carbon Market 2025
- Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024
- B3: ASG, Balcão
- Verra: Verra Registry
- Gold Standard Marketplace
- Puro.earth: Buy carbon credits
- Carbonmark: Buy carbon credits
- ClimeCo: Purchase credits
- Terrapass
- Xpansiv CBL
- ACX
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