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Créditos de Carbono

Crédito de carbono de reflorestamento no Brasil: como funciona a VM0047 da Verra para projetos ARR

Read in English → Por · Atualizado em 28/10/2026, 19:30 · ⏱ leitura de 7 min

Quem avalia um projeto de restauração florestal no Brasil como ativo de carbono logo encontra a VM0047, a metodologia da Verra para florestamento, reflorestamento e revegetação (ARR, na sigla em inglês). Este guia mostra como a VM0047 ARR funciona na prática: quem pode usar, como a linha de base é definida comparando sua área com áreas parecidas da vizinhança, o que precisa ser monitorado e quanto o registro cobra.

O que é a VM0047

A VM0047 é uma metodologia do Verified Carbon Standard (VCS) para projetos que criam, aumentam ou recuperam cobertura vegetal. A versão ativa é a v1.1, em vigor desde 14 de maio de 2025. A v1.0 valeu de 28 de setembro de 2023 a 13 de maio de 2025. Os créditos gerados são de remoção, e não de emissão evitada.

Segundo a página oficial da metodologia, o Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM) aprovou as versões 1.0 e 1.1 como alinhadas aos seus Core Carbon Principles.

A Verra usou a VM0047 para unificar abordagens antigas de ARR. Em outubro de 2026, publicou uma orientação para projetos que migram de metodologias do MDL, como AR-ACM0003 e AR-AMS0007. O arquivo está identificado como minuta final, então os detalhes ainda podem mudar.

Como a VM0047 ARR funciona: duas formas de contar carbono

A metodologia oferece duas abordagens de quantificação. Cada área escolhe uma delas no início e fica com ela durante todo o período de creditação. Se o projeto usar as duas, as áreas precisam estar separadas por pelo menos 10 metros.

Abordagem por área. É o caminho da maioria dos projetos de restauração: pasto que volta a ser floresta, ou aumento de estoque em floresta existente que não foi manejada para madeira nos últimos dez anos. A biomassa é medida em parcelas de campo e extrapolada para a área do projeto.

Abordagem por censo. Serve para plantio disperso, como árvores em lavoura ou em quebra-ventos, em que o uso original da terra continua. Cada árvore, arbusto ou touceira de bambu plantada é contada e identificada. A densidade não pode passar de 50 unidades por hectare. A linha de base é zero, porque sem o projeto aquelas árvores não existiriam. Um projeto por área que plante menos de 50 unidades por hectare fica excluído, porque deveria usar o censo.

O benchmark de desempenho: a linha de base na abordagem por área

Em vez de pedir ao desenvolvedor que argumente o que teria acontecido sem o projeto, a VM0047 usa dados. Ela compara a regeneração no projeto com a de parcelas de controle pareadas fora dele, usando um indicador de vegetação obtido por satélite, o stocking index (SI).

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O Apêndice 1 da metodologia detalha o processo:

O benchmark é dinâmico. A cada verificação o projeto precisa mostrar, por um teste Z, que a variação do seu SI é estatisticamente diferente da dos controles. O crédito sai dessa diferença. Se a paisagem ao redor começar a se regenerar sozinha, a linha de base sobe e o volume de créditos cai.

Os dados de SI precisam ter pixel de 30 m ou menor e ser atualizados pelo menos uma vez por ano. A Verra tem uma lista de provedores avaliados, mas o projeto pode contratar qualquer um.

Para quem a VM0047 se aplica

Na abordagem por área, a adicionalidade também exige teste de excedente regulatório. Se houver receita além do crédito, é preciso ainda uma análise de investimento pela ferramenta VT0008.

Passo a passo para avaliar um projeto de restauração

Pense num exemplo hipotético: 400 hectares de pasto degradado na Mata Atlântica, a restaurar com mudas nativas e condução da regeneração natural.

  1. Levante o histórico. Puxe imagens de satélite dos últimos dez anos. Floresta manejada ou corte recente de madeira encerram a análise.
  2. Meça antes de mexer no solo. Instale as parcelas para todos os compartimentos de carbono relevantes antes do preparo.
  3. Teste o benchmark cedo. Peça a um provedor de SI uma área doadora preliminar. Se os pastos num raio de 100 km já estão se regenerando rápido, a margem para crédito pode ser pequena.
  4. Faça a projeção ex ante. O documento do projeto precisa estimar as remoções para todo o período de creditação, com modelos de crescimento e desconto de incerteza de pelo menos 10%.
  5. Orce as taxas do registro. A tabela de taxas da Verra, versão 1.1 de 27 de julho de 2026, cobra USD 1.500 pela listagem no pipeline, USD 3.750 por pedido de registro, USD 5.000 por revisão de verificação (metade abatida em emissões futuras) e USD 0,23 por VCU emitido. Abrir a conta no registro custa USD 750, e mantê-la custa USD 750 por ano. A auditoria do VVB é negociada à parte e costuma custar mais.
  6. Planeje o monitoramento. Os parâmetros de biomassa em campo precisam ser medidos pelo menos a cada cinco anos, os dados de SI chegam todo ano e a adicionalidade é testada de novo em cada verificação.

Erros comuns

Relação com o mercado regulado brasileiro

A Lei 15.042/2024 criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O art. 46 diz que a recomposição de Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal é apta a gerar créditos de carbono. Pelo art. 44, um crédito voluntário só vale como CRVE, o ativo negociável do sistema, se cumprir três condições. Ele precisa vir de metodologia credenciada pelo órgão gestor do SBCE, ser verificado por entidade independente e estar inscrito no Registro Central.

A VM0047 ainda não foi credenciada. Na última atualização do Placar do SBCE, as normas que vão reger as metodologias continuavam pendentes ou em consulta pública. Hoje, um crédito VM0047 é ativo do mercado voluntário.

O que fazer agora

Fontes

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