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Créditos de Carbono

Japan Airlines fecha 1º acordo de remoção para CORSIA

Read in English → Por · Atualizado em 01/10/2026, 03:35 · ⏱ leitura de 5 min
Avião decolando na pista
Foto: Matt Hardy / Pexels

O minuto

  • A Japan Airlines assinou um acordo com a Climeworks Solutions para créditos de remoção de carbono desenhados para atender aos requisitos do CORSIA, programa da ICAO para compensação de emissões da aviação internacional.
  • A Climeworks Solutions vai fornecer um portfólio de créditos que inclui sequestro de carbono no solo e biochar, enquanto a JAL também comprará separadamente créditos de captura direta de ar (DAC).
  • A JAL já figurava entre as primeiras companhias aéreas a aposentar grandes volumes de créditos elegíveis ao CORSIA; o novo acordo estende essa atividade para créditos especificamente de remoção de CO2.

Por que importa: Até agora, a demanda corporativa por remoção de carbono veio quase exclusivamente de compromissos climáticos voluntários. Levar créditos de remoção para dentro de um marco regulatório como o CORSIA cria um sinal de demanda fundamentalmente diferente: impulsionado por obrigação legal, não por compromissos discricionários. Se a remoção compatível com o CORSIA escalar além de transações-piloto, a aviação internacional pode se tornar o primeiro setor a conectar o mercado voluntário de remoção de carbono ao financiamento climático regulado.

O biochar, que entra nesse portfólio, também ganhou escala com o acordo entre Exomad Green e Carbonfuture para 1,1 milhão de toneladas até 2035.

O que ainda não está decidido

O acordo é descrito como um piloto, e várias questões estruturais permanecem em aberto. A ICAO ainda não publicou uma lista final e abrangente de metodologias de remoção de CO2 que se qualificam como Unidades de Emissões Elegíveis do CORSIA. O marco atual aceita certas categorias de compensação, mas os critérios de inclusão para vias de remoção mais recentes (biochar, intemperismo acelerado, captura direta de ar com armazenamento geológico) ainda estão em revisão ou sujeitos a aprovações futuras de metodologia. Se créditos de sequestro de carbono no solo conseguem atender aos padrões de durabilidade e medição do CORSIA em escala é uma questão técnica não resolvida, dados os desafios documentados em torno de permanência e risco de reversão no armazenamento em solo.

Há também a questão de preços. Preços no mercado voluntário para remoção de carbono de alta qualidade variam amplamente, com créditos de DAC sendo negociados em patamares muito superiores aos de compensações convencionais. Para que o CORSIA gere demanda significativa, o custo dos créditos de remoção precisará ser administrável em relação aos orçamentos de conformidade das companhias aéreas, ou os reguladores precisarão criar incentivos que reduzam essa diferença.

Quem ganha e quem perde

Desenvolvedores de tecnologia de remoção, particularmente os que trabalham com vias de engenharia como DAC, ganham uma nova classe de compradores institucionais com necessidades recorrentes de conformidade. Empresas como a Climeworks, que já opera instalações de DAC, se beneficiam de visibilidade de demanda que pode sustentar financiamento para capacidade futura. Desenvolvedores de projetos de remoção baseados na natureza que trabalham com biochar ou carbono no solo também podem acessar orçamentos de conformidade da aviação, desde que suas metodologias passem pelo crivo de elegibilidade da ICAO.

Fornecedores tradicionais de compensação enfrentam um cenário mais complexo. Se o CORSIA deslocar as compras das companhias aéreas para créditos de remoção, afastando-as de compensações convencionais baseadas em evitação (como desmatamento evitado ou certificados de energia renovável), desenvolvedores concentrados nessas categorias podem ver a demanda diminuir. As próprias companhias aéreas enfrentam custos por unidade mais altos com créditos de remoção em comparação com compensações tradicionais, o que gera pressão nos custos de conformidade.

O que muda para companhias aéreas brasileiras

As companhias brasileiras que operam rotas internacionais estão sujeitas ao CORSIA. LATAM Airlines Brasil, Gol e Azul voam rotas cobertas pelos requisitos de monitoramento e compensação do esquema. Com o aperto das fases do CORSIA (a fase obrigatória se amplia em 2027 para um conjunto maior de pares de estados), as aéreas brasileiras precisarão adquirir créditos elegíveis. Se créditos de remoção se tornarem um componente reconhecido e eventualmente esperado da conformidade com o CORSIA, as companhias brasileiras enfrentarão as mesmas decisões de aquisição que a JAL está testando agora.

O Brasil tem uma discussão própria de mercado regulado de carbono em andamento. O projeto de lei do mercado regulado (PL 182/2024 no Senado) está avançando, mas ainda não estabeleceu regras finais sobre quais tipos de crédito se qualificam ou como as obrigações da aviação internacional interagem com os mecanismos domésticos. O Brasil é também um dos maiores produtores mundiais de matéria-prima para biochar e tem potencial significativo para projetos de carbono no solo em áreas de pastagem degradada. Em tese, projetos brasileiros de remoção poderiam fornecer créditos elegíveis ao CORSIA, mas somente se a ICAO aprovar as metodologias relevantes e os desenvolvedores brasileiros investirem na infraestrutura de medição, reporte e verificação exigida. Os dados sobre quantos créditos de remoção elegíveis ao CORSIA poderiam realisticamente se originar de projetos brasileiros ainda não estão disponíveis; essa lacuna merece atenção tanto de reguladores quanto de desenvolvedores de projetos.

via ESG News

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