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Créditos de Carbono

Mombak fecha 1ª rodada de fundo de até R$ 1 bi

Read in English → Por · Atualizado em 01/10/2026, 03:35 · ⏱ leitura de 4 min
Mudas de árvores em viveiro
Foto: Mark Stebnicki / Pexels

O minuto

  • A Mombak concluiu o primeiro fechamento do The Amazon Reforestation Fund II, seu segundo veículo de reflorestamento, com meta de captar cerca de R$ 800 milhões (US$ 150 milhões) em equity.
  • A empresa obteve linha de crédito de R$ 200 milhões do BNDES via Fundo Clima, com juros de 2,3% ao ano, elevando o alvo combinado para aproximadamente R$ 1 bilhão.
  • A Mombak também foi uma das sete selecionadas na chamada pública de mitigação climática do BNDES, que pode liberar até R$ 500 milhões do BNDESPar, limitados a 25% do capital comprometido do fundo.

Por que importa: A estrutura do fundo mostra como o BNDES está empilhando instrumentos diferentes (crédito subsidiado, participação acionária direta e chamadas públicas competitivas) para direcionar capital a soluções baseadas na natureza. Para o mercado voluntário de carbono, que enfrentou crises de credibilidade globalmente, um veículo respaldado por crédito do BNDES e potencialmente por equity do BNDESPar confere validação institucional rara para uma startup de reflorestamento.

O que ainda não está decidido e o que precisa acontecer

O número de R$ 1 bilhão assume que a Mombak atinja a meta integral de R$ 800 milhões em equity. A empresa não divulgou quanto efetivamente captou no primeiro fechamento, nem quem são os investidores. Essa lacuna é relevante: primeiros fechamentos em fundos climáticos frequentemente representam uma fração da meta final, e o montante definitivo depende de rodadas subsequentes atraírem alocadores institucionais dispostos a apostar em uma tese de reflorestamento na Amazônia com receita baseada em créditos de carbono.

A variável BNDESPar adiciona outra camada de incerteza. A Mombak está elegível para um investimento direto em equity de até R$ 500 milhões do BNDESPar, o braço de participações do banco, mas a participação ainda está em avaliação. Se confirmada, entraria como parte da captação do Fundo II, potencialmente elevando o alvo acima de R$ 1 bilhão. Porém, o teto de 25% de participação no capital comprometido significa que o fundo precisaria atingir R$ 2 bilhões em capital total para destravar o valor máximo do BNDESPar. Alcançar esse patamar exigiria que a Mombak mais que dobrasse sua meta atual de equity, um cenário que depende de apetite de investidores que ainda não se materializou publicamente.

Quem ganha e quem fica pressionado

O modelo da Mombak é direto: restaurar áreas degradadas no Pará com espécies nativas e vender os créditos de carbono gerados. Se o fundo for implantado em escala, os beneficiários imediatos são proprietários rurais da região que arrendam ou vendem áreas degradadas, além da mão de obra local contratada para plantio e manutenção. A linha de crédito do BNDES a 2,3% ao ano, bem abaixo das taxas de mercado, subsidia efetivamente o custo de capital do reflorestamento, dando à Mombak uma vantagem de financiamento que concorrentes dependentes exclusivamente de capital privado não possuem.

Do outro lado, o arranjo levanta questões para outros participantes do mercado brasileiro de carbono em formação. Empresas que desenvolvem projetos semelhantes de créditos baseados na natureza na Amazônia, sem acesso a financiamento subsidiado do BNDES, podem ter mais dificuldade para competir em preço. A chamada pública de mitigação climática do BNDES selecionou apenas sete empresas de um número não divulgado de candidatas, concentrando recursos públicos em um grupo restrito. Se isso cria um pipeline saudável ou um campo de jogo desigual depende de como o banco estruturará chamadas futuras e se os critérios permanecerão acessíveis a operadores menores.

O papel do Fundo Clima e sua expansão

A linha de R$ 200 milhões vem do Fundo Clima, programa do BNDES que existe desde 2009 mas ganhou relevância renovada com o Brasil se posicionando como polo de finanças climáticas. A chamada mais ampla do BNDES, com até R$ 4,3 bilhões em potenciais investimentos do BNDESPar, representa um dos maiores compromissos públicos com equity climático na América Latina. O fato de reflorestamento com espécies nativas se qualificar ao lado de projetos de transição energética e descarbonização industrial sinaliza que o banco trata soluções baseadas na natureza como classe de ativos legítima, não como categoria secundária.

Para empresas brasileiras avaliando suas próprias estratégias de net-zero, o fundo da Mombak ilustra tanto uma oportunidade quanto uma dependência. Comprar créditos de florestas restauradas na Amazônia pode se tornar mais acessível conforme a oferta escala, mas o preço e a disponibilidade desses créditos dependerão de o Fundo II efetivamente implantar os recursos, gerar remoções verificadas e encontrar compradores em um mercado voluntário que permanece fragmentado e sensível a preço.

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