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PNUMA: mundo passará de 1,5°C, mas retorno é possível

Read in English → Por · Atualizado em 01/10/2026, 03:36 · ⏱ leitura de 2 min
Geleira derretendo
Foto: Susanne Jutzeler, suju-foto / Pexels

O minuto

  • Novo relatório do PNUMA indica que o planeta caminha para superar o limite de aquecimento de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.
  • O aumento das emissões globais é apontado como principal ameaça ao cumprimento dessa meta.
  • Segundo o documento, a descarbonização acelerada pode permitir o restabelecimento do limite de 1,5°C após uma ultrapassagem temporária.

Por que importa: O teto de 1,5°C é considerado um limiar crítico, acima do qual os riscos climáticos (eventos extremos, elevação do nível do mar, colapso de ecossistemas) se intensificam de forma significativa. A abordagem do PNUMA, que admite uma ultrapassagem seguida de recuperação, reposiciona o debate político para além da prevenção, incluindo uma estratégia de corte rápido de emissões combinada com restauração atmosférica de longo prazo.

As conclusões ampliam a pressão sobre governos para que fortaleçam suas metas climáticas e acelerem a transição energética. O relatório reforça que a janela de ação corretiva, embora cada vez menor, permanece aberta se os esforços de descarbonização ganharem escala a tempo. Detalhes completos via ClimaInfo.

O que isso significa para o Brasil

A meta brasileira mais recente é a NDC entregue à UNFCCC em novembro de 2024: reduzir as emissões líquidas entre 59% e 67% até 2035 em relação a 2005, o que equivale a um nível de 1,05 a 0,85 GtCO2e, ante 2,56 GtCO2e em 2005 segundo o inventário usado no documento. A NDC diz buscar coerência com o limite de 1,5 °C e com neutralidade de emissões em 2050, e trata a restauração da vegetação nativa como remoção baseada na natureza.

Isso dá ao Brasil posição peculiar num cenário de ultrapassagem temporária: remoções florestais em escala são o tipo de medida que o PNUMA associa ao retorno a 1,5 °C, e o país tem potencial nesse campo. Por outro lado, a manutenção desse estoque depende do controle de desmatamento e fogo.

O principal instrumento econômico ainda é lento. Somando os prazos do art. 50 da Lei 15.042/2024, a distribuição de cotas do SBCE só começa depois de pelo menos quatro anos da entrada em vigor da lei, em dezembro de 2024, podendo chegar a cinco se a regulamentação for prorrogada. Qualquer revisão para cima da meta de 2035 é, por ora, uma decisão política sem data definida.

Parte da trajetória depende da China, cujo plano para o carvão mira pico de consumo em 2030.

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