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O que é greenwashing

Por · Atualizado em 07/10/2026, 00:23 · ⏱ leitura de 6 min
Embalagem com folha verde
Foto: PNW Production / Pexels

Greenwashing é a prática de transmitir, por meio de comunicação corporativa, publicidade ou relatórios, uma imagem de responsabilidade ambiental ou social que não corresponde à realidade das operações, dos produtos ou dos dados da empresa. O termo combina “green” (verde, associado a sustentabilidade) com “whitewashing” (maquiar, encobrir). Na prática, significa que o público recebe uma impressão de compromisso ambiental que não se sustenta quando confrontada com evidências concretas.

Como o greenwashing funciona na prática

O greenwashing pode assumir formas muito diferentes, desde uma campanha publicitária explicitamente enganosa até omissões sutis em relatórios de sustentabilidade. As modalidades mais recorrentes incluem:

Um exemplo concreto que ilustra o mecanismo: uma companhia aérea anuncia que seus voos são “neutros em carbono” porque oferece ao passageiro a opção de compensar emissões no momento da compra. A operação da frota em si não muda. A compensação depende de adesão voluntária do cliente. E a neutralidade anunciada se aplica apenas aos voos em que o passageiro paga a taxa adicional, não à operação como um todo. Esse tipo de comunicação já foi alvo de contestação por órgãos de defesa do consumidor em países europeus.

Greenwashing no Brasil

No Brasil, o greenwashing é tratado como publicidade enganosa ou abusiva nos termos do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990). O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) possui o Anexo U ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, dedicado especificamente a apelos de sustentabilidade em peças publicitárias. Esse anexo estabelece que alegações ambientais devem ser verazes, pertinentes, relevantes e apresentadas de forma que o consumidor compreenda seu real alcance.

Além do CONAR, o Ministério Público (estadual e federal) tem atuado em casos de comunicação ambiental enganosa, enquadrando a conduta tanto pelo Código de Defesa do Consumidor quanto pela Lei de Crimes Ambientais, dependendo da gravidade. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trata dos relatórios de sustentabilidade alinhados aos padrões do International Sustainability Standards Board (ISSB) nas Resoluções CVM 193 e 244/2026. Esses relatórios são voluntários: a companhia aberta que optar por arquivá-los deve fazê-lo nos termos do art. 1º da Resolução 244 e, a partir de 2027, quem optar por não arquivar precisa justificar em comunicado ao mercado. Quem publica assume o que declara, e alegações vagas ou inconsistentes podem gerar responsabilização.

No mercado de carbono especificamente, a Lei 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), cria um arcabouço que tende a dificultar alegações de neutralidade sem lastro, uma vez que padroniza metodologias de mensuração e verificação de emissões.

Contexto regulatório internacional

A União Europeia aprovou a Diretiva (UE) 2024/825, sobre a capacitação dos consumidores para a transição ecológica, aplicável a partir de 27 de setembro de 2026, que proíbe, entre outras práticas, alegações genéricas como “sustentável” ou “ecológico” sem fundamentação específica. A proposta de Diretiva de Alegações Verdes (Green Claims Directive), pendente desde 2023 e ainda não aprovada, exigiria que empresas comprovem alegações ambientais com base em metodologias científicas reconhecidas e com verificação por terceiro independente.

Nos Estados Unidos, a Federal Trade Commission (FTC) mantém os Green Guides, diretrizes que orientam o uso de termos ambientais em publicidade. Embora os Green Guides não tenham força de lei por si mesmos, a FTC pode acionar empresas por práticas comerciais enganosas com base neles.

A tendência regulatória global aponta para a mesma direção: transformar o que antes era tratado como exagero de marketing em infração passível de sanção administrativa ou judicial.

O que costuma ser confundido com greenwashing

Nem toda comunicação ambiental imperfeita é greenwashing. Existem distinções relevantes:

Por que greenwashing é um risco financeiro

O greenwashing deixou de ser apenas um problema reputacional. Investidores institucionais que alocam capital com base em critérios ESG podem mover ações judiciais se os dados que fundamentaram a decisão de investimento se revelarem falsos ou inflados. Seguradoras podem contestar apólices. Fundos classificados como sustentáveis enfrentam pressão de reguladores para comprovar que os ativos da carteira realmente atendem aos critérios declarados.

Para empresas que emitem títulos verdes (green bonds), a inconsistência entre o uso declarado dos recursos e a aplicação real pode configurar fraude no mercado de capitais. O resultado é que o greenwashing, hoje, gera risco legal, regulatório e financeiro concreto, não apenas dano à imagem.

O fenômeno oposto é o greenhushing, quando empresas deixam de divulgar metas ESG.

Fontes primárias: Diretiva (UE) 2024/825, capacitação dos consumidores para a transição ecológica (EUR-Lex, 2024); Proposta de Diretiva relativa a alegações ecológicas, COM(2023) 166 (Comissão Europeia, 2023); Green Guides (Federal Trade Commission dos EUA, 2012, em inglês); FG24/3, guia sobre a regra antigreenwashing (Financial Conduct Authority do Reino Unido, 2024, em inglês).

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