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Economia circular: o que é e como aplicar na empresa

Read in English → Por · Atualizado em 01/10/2026, 03:36 · ⏱ leitura de 6 min
Economia circular: o que é e como aplicar na sua empresa

O minuto

  • Projetar para durar e para desmontar: segundo a Comissão Europeia, mais de 80% do impacto ambiental de um produto ao longo da vida é definido no design
  • Reduzir embalagem e material virgem antes de pensar em reciclar, na ordem que a própria lei brasileira impõe
  • Fechar o ciclo: logística reversa, reuso interno e venda de subproduto

Por que importa: Circularidade costuma aparecer como pauta ambiental, mas o ganho que sustenta o projeto é de custo: menos material comprado e menos resíduo pago.

O que é economia circular

Economia circular é o modelo em que produtos, componentes e materiais ficam em uso pelo maior tempo possível, e o que sobra volta como insumo para a mesma cadeia ou para outra. O contraponto é a economia linear: extrair, produzir, usar e descartar. Para a empresa, a pergunta prática é simples: quanto do que eu compro vira resíduo que eu pago para descartar, e quanto disso poderia ser evitado, reaproveitado ou vendido?

O que a lei brasileira já exige

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) já traz boa parte da lógica circular:

O Decreto 11.413/2023 criou três instrumentos para os sistemas de logística reversa do art. 33: o Certificado de Crédito de Reciclagem de Logística Reversa, o Certificado de Estruturação e Reciclagem de Embalagens em Geral e o Certificado de Crédito de Massa Futura. Eles permitem que empresas obrigadas comprovem metas por meio da reciclagem realizada por terceiros.

Os quatro movimentos

  1. Projetar melhor: durabilidade, facilidade de reparo e de desmontagem, monomaterial, menos componentes. A Comissão Europeia afirma que mais de 80% do impacto ambiental de um produto ao longo do ciclo de vida é determinado na fase de design, e por isso o Regulamento de Ecodesign europeu, em vigor desde 18 de julho de 2024, mira essa etapa.
  2. Usar menos material virgem: reduzir embalagem, trocar por material reciclado onde a especificação permite, comprar a granel.
  3. Estender a vida: manutenção preventiva, reparo, recondicionamento, revenda de equipamento usado, modelos de aluguel ou serviço em vez de venda.
  4. Fechar o ciclo: logística reversa, reciclagem e subproduto que vira insumo de outra empresa.

Passo a passo para aplicar na empresa

  1. Faça o diagnóstico dos resíduos. Liste cada tipo de resíduo, o volume mensal, a classificação (perigoso ou não), o destino atual e quanto custa. É o mesmo diagnóstico que o plano de gerenciamento exige.
  2. Escolha o fluxo prioritário. Comece pelo resíduo de maior volume ou maior custo. Normalmente é embalagem, sucata, resto de produção ou material orgânico.
  3. Suba na hierarquia. Para esse fluxo, pergunte em ordem: dá para não gerar? Reduzir? Reutilizar internamente? Só depois, reciclar.
  4. Teste um piloto. Um fornecedor que aceite embalagem retornável, um comprador para a sucata, uma cooperativa para o reciclável. Meça custo e volume por três a seis meses.
  5. Verifique as obrigações legais. Se a empresa fabrica, importa, distribui ou vende produtos do art. 33, confirme como cumpre a logística reversa: sistema próprio, entidade gestora setorial ou certificados.
  6. Exija comprovação da destinação. Guarde manifestos de transporte de resíduos e certificados de destinação final emitidos pelos receptores licenciados.
  7. Escale e reporte. Com o piloto comprovado, amplie para outros fluxos e leve os indicadores ao relatório de sustentabilidade.

Exemplos práticos

Como envolver fornecedores e clientes

Boa parte da circularidade depende de quem está antes e depois da empresa na cadeia. Algumas alavancas práticas:

A responsabilidade compartilhada prevista na PNRS torna essas conversas mais fáceis, porque cada elo já tem atribuições definidas em lei.

Como medir o progresso

Comece com dois números: material virgem por unidade produzida e percentual de resíduo desviado do aterro. Depois acrescente custo de destinação por tonelada e receita com venda de subprodutos. Esses indicadores também alimentam o inventário de emissões, porque resíduo enviado a aterro gera emissões de escopo 3. Veja como montar o inventário.

O que não é circularidade

Perguntas frequentes

Circular é o mesmo que reciclar?

Não. Reciclar é a quarta etapa da ordem de prioridade da PNRS; a maior parte do ganho está em não gerar, reduzir e reutilizar.

Serve para empresa de serviço?

Serve: equipamentos, mobiliário, uniformes e eletrônicos são material em uso, e todos têm caminho de reuso.

Como medir o progresso?

Comece com dois números: material virgem por unidade produzida e percentual de resíduo desviado do aterro.

Minha empresa precisa de plano de gerenciamento de resíduos?

Depende do tipo de resíduo e da atividade (art. 20 da Lei 12.305/2010). Gerar resíduo perigoso ou resíduo não equiparado ao domiciliar pelo município já obriga estabelecimentos comerciais e de serviços.

Quem vende eletroeletrônicos tem obrigação de logística reversa?

Sim. O art. 33 inclui fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Leia também: o que é ESG.

Leia também: como relatar o que você mediu.

Fontes primárias: Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010 (Presidência da República, 2010); Decreto 11.413/2023, certificados de logística reversa (Presidência da República, 2023); Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis, em inglês (Comissão Europeia); Plano de ação de economia circular, em inglês (Comissão Europeia).

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