O minuto: Os principais eventos do mercado de carbono e do clima em 2026, num só lugar. Hoje cada organização mantém o calendário isolado no próprio site, o que obriga quem atua no setor a cruzar dezenas de páginas antes de planejar o ano.
Por que importa: Participar do evento certo na hora certa pode definir acesso a compradores de crédito, atualizações regulatórias e alianças de projeto. Perder um prazo de credenciamento ou de submissão de side event significa esperar mais um ano.
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| Evento | Data | Local | Sobre |
|---|---|---|---|
| Climate Week NYC 2026 | 20 a 27 de setembro de 2026 | Nova York, EUA | Maior semana de eventos climáticos do mundo: mais de 100 mil participantes em mais de mil eventos. |
| Carbon Forward Expo London 2026 | 14 e 15 de outubro de 2026 | Londres, Reino Unido | 11ª edição; cobre mercado de carbono de conformidade e voluntário na Europa. |
| COP31 | 9 a 20 de novembro de 2026 | Antalya Expo Center, Turquia | Conferência anual do clima da ONU. |
| Carbon Forward (edições regionais) | Datas variam ao longo de 2026 | Oriente Médio e Ásia (Singapura) | Edições regionais do mesmo evento; confira a data específica de cada cidade no site oficial antes de planejar viagem. |
O que cada tipo de evento entrega na prática
A Climate Week NYC funciona como uma semana aberta: organizações independentes registram seus próprios side events sob o guarda-chuva da Climate Group, que coordena a programação. Para participar como ouvinte, basta se inscrever nos eventos individuais. Para organizar um side event, é preciso submeter proposta ao comitê da Climate Group com meses de antecedência (o prazo costuma abrir no primeiro trimestre do ano). Quem busca fechar negócios encontra ali compradores corporativos de créditos de carbono e fundos de investimento climático concentrados num mesmo período.
A Carbon Forward Expo, por outro lado, é uma conferência comercial com feira de exposição. A 11ª edição em Londres reúne desenvolvedores de projetos de carbono, verificadoras, registros (como Verra e Gold Standard) e compradores do mercado voluntário e de conformidade europeu. O formato inclui painéis, mesas de negociação e estandes. Quem pretende expor precisa contratar espaço com antecedência; quem vai apenas assistir compra ingresso avulso.
A COP31, em Antalya, segue o formato padrão das conferências das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Há duas zonas: a Zona Azul (acesso restrito a delegações credenciadas e observadores aprovados pela UNFCCC) e a Zona Verde (aberta ao público geral mediante registro). Negociações formais entre países acontecem na Zona Azul. Side events, pavilhões de países e estandes de ONGs ficam distribuídos entre as duas zonas.
O que está em jogo na COP31
A COP30, realizada em Belém em 2025, foi o palco para a entrega das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) atualizadas de cada país signatário do Acordo de Paris. A COP31 herda a tarefa de avaliar se essas metas coletivas são suficientes para limitar o aquecimento global. Além disso, a operacionalização do Artigo 6 do Acordo de Paris (que estabelece mecanismos de mercado de carbono entre países) continua em implementação. Regras para o mecanismo do Artigo 6.4, que pretende criar um mercado global de créditos supervisionado pela ONU, ainda dependem de decisões técnicas sobre metodologias de linha de base e critérios de adicionalidade. Cada COP avança (ou trava) essas definições.
O que muda para quem opera no Brasil
O Brasil aprovou em dezembro de 2024 a Lei 15.042, que cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Esse sistema estabelece um mercado regulado de carbono no país, com teto de emissões para setores que ainda serão definidos por regulamentação. A lei prevê que empresas acima de determinado limiar de emissões anuais precisarão monitorar, relatar e verificar (MRV) suas emissões, e eventualmente adquirir ou entregar permissões de emissão.
Na prática, quem acompanha os eventos internacionais de 2026 precisa cruzar o calendário global com o calendário regulatório brasileiro. Consultas públicas sobre a regulamentação do SBCE podem coincidir com períodos de eventos internacionais, e as definições do Artigo 6 na COP31 impactam diretamente como créditos gerados no Brasil poderão ser transferidos para outros países ou usados para cumprir metas nacionais. Participar da COP31 sem acompanhar o andamento do SBCE (e vice-versa) deixa uma lacuna estratégica.
O erro mais comum
Tratar o calendário de eventos como agenda social. Muitas organizações enviam representantes a conferências sem definir antes o que precisam obter: conexão com comprador específico, atualização regulatória de um mercado-alvo ou alinhamento com verificadora. Sem objetivo claro, o retorno da viagem é um relatório genérico de painéis assistidos. O custo de participação (passagem, hospedagem, credenciamento, tempo de equipe) só se justifica se houver um entregável concreto vinculado à presença.
O que ainda não está resolvido
Três pontos permanecem em aberto e podem mudar o valor prático deste calendário. Primeiro, as datas exatas das edições regionais do Carbon Forward (Oriente Médio e Ásia, em Singapura) ainda dependem de confirmação pelo organizador; planejar viagem antes dessa confirmação é risco de retrabalho. Segundo, o formato final da Zona Verde da COP31 em Antalya ainda não foi publicado pela UNFCCC, o que afeta quem planeja side events ou pavilhões. Terceiro, o cronograma de regulamentação do SBCE no Brasil pode gerar consultas públicas ou audiências que conflitem com datas de eventos internacionais, forçando equipes pequenas a escolher onde estar.
Fontes primárias: Sobre a Climate Week NYC (Climate Group, 2026, em inglês); Carbon Forward Expo London 2026 (Carbon Forward, 2026, em inglês); Conferência da ONU sobre Mudança do Clima COP31, Antalya (UNFCCC, 2026, em inglês); Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024, que institui o SBCE (Planalto, 2024); Acordo de Paris, promulgado pelo Decreto nº 9.073/2017 (Planalto, 2017).
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