O minuto
- A Organização Meteorológica Mundial (OMM) declarou que o El Niño atual pode atingir a maior intensidade registrada em mil anos.
- O fenômeno deve durar até fevereiro de 2027, ampliando o período de exposição a eventos climáticos extremos.
- Segundo a OMM, a escala do episódio eleva o risco de maior frequência e potência de extremos climáticos ao redor do mundo.
Por que importa: Episódios de El Niño dessa magnitude alteram padrões climáticos em todos os continentes, intensificando secas, enchentes e ondas de calor. A duração prolongada até o início de 2027 agrava riscos para agricultura, infraestrutura e capacidade de resposta a desastres.
A OMM descreveu o fenômeno como de “proporções gigantescas,” sinalizando que governos e cadeias produtivas enfrentam um período extenso de volatilidade climática. Ciclos mais fortes de El Niño são consistentes com projeções científicas que associam o aumento das temperaturas globais a oscilações mais extremas no Pacífico, via ClimaInfo
O que isso significa para o Brasil
Os órgãos brasileiros já tratam o evento como confirmado. O Painel El Niño 2026-2027, boletim conjunto de INPE, INMET, ANA, Cemaden, SGB e Defesa Civil, registrou em junho a configuração do fenômeno, com probabilidade acima de 90% de persistir até ao menos o início de 2027 e alta probabilidade de um “El Niño muito forte” (anomalias acima de 2,0 °C no Pacífico). O boletim indica que a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana no Centro-Oeste e as culturas de inverno no Sul podem ser beneficiadas, enquanto o calor pode afetar pastagens e a preparação da próxima safra no Centro-Oeste.
A nota técnica conjunta de abril de 2026 descreve o padrão típico: mais chuva no Sul, menos chuva no Norte e no norte do Nordeste, primavera mais seca em áreas de MG, ES, RJ, GO e BA, maior risco de fogo na Amazônia e rios mais baixos, com efeito sobre hidrelétricas, pesca e navegação.
Para bancos com carteiras de crédito rural e de infraestrutura, esses são eventos de risco climático físico que a Resolução CMN 4.943/2021 manda gerenciar, citando seca, inundação e incêndio florestal. Estimativas oficiais de perdas econômicas para este episódio ainda não estão disponíveis.
Na Europa, os incêndios de 2026 liberaram 27 Mt de CO2, recorde na França.
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