O minuto
- O plano soma € 4,8 bilhões (US$ 5,6 bilhões): € 3,6 bilhões vêm do Fundo Social para o Clima da UE e € 1,2 bilhão são contrapartida do governo grego, com execução prevista entre 2026 e 2032
- O dinheiro cobre até 62 mil renovações de prédios, 200 mil bombas de calor e aquecedores solares, 2.800 unidades habitacionais sociais eficientes e mais de 200 ônibus elétricos novos além de 22 trens do metrô de Atenas
- A expectativa é reduzir 811 mil toneladas de CO2 por ano até 2032, beneficiando 460 mil famílias vulneráveis
Por que importa: É o quinto e maior plano já aprovado sob o Fundo Social para o Clima, que deve mobilizar € 86,7 bilhões em toda a União Europeia até 2032 — o desenho do fundo mistura eficiência energética com proteção social explicitamente, uma combinação que tende a aparecer cada vez mais em política climática europeia daqui pra frente.
O comissário europeu Wopke Hoekstra disse que o plano “coloca as pessoas no centro da transição limpa”, destacando que quase € 227 milhões vão só pra renovar moradia estudantil que atende 5.930 estudantes em situação vulnerável — um sinal de que o financiamento está sendo desenhado pra evitar que a transição energética pese mais sobre quem já tem menos recurso. via ESG Today
O que isso significa para o Brasil
O paralelo brasileiro mais direto está no destino das receitas do futuro mercado regulado. O art. 28 da Lei 15.042/2024 determina que os recursos do SBCE sejam destinados, nesta ordem, a no mínimo 15% para operar o sistema, no mínimo 75% ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima para financiar a descarbonização das atividades reguladas e no mínimo 5% para compensar povos indígenas e comunidades tradicionais pela conservação da vegetação nativa.
A diferença de desenho é clara: o fundo europeu protege famílias vulneráveis do custo da transição, com reformas de moradia e transporte público, enquanto a lei brasileira direciona a maior parte da receita às próprias instalações reguladas, e a parcela social é voltada a povos e comunidades tradicionais.
Hoje, o financiamento de itens semelhantes aos do plano grego passa pelo Fundo Clima do BNDES, que tem modalidades de desenvolvimento urbano sustentável, logística e mobilidade verde e transição energética. O que falta definir é quando haverá receita no SBCE: a cobrança pela outorga onerosa de permissões segue as fases do art. 50, e o primeiro Plano Nacional de Alocação prevê distribuição não onerosa, o que adia essa fonte de recursos.
Ainda não existe newsletter. Deixe seu e-mail e você será avisado no dia em que existir, antes de qualquer outra pessoa.
