O minuto
- O banco comprometeu US$ 647,2 bilhões desde 2020 rumo à meta de US$ 1 trilhão em finança sustentável, cerca de 65% do caminho até o fim de 2025; só em 2025 foram US$ 91,3 bilhões, sendo 62% em mercados internacionais fora da América do Norte
- Na emissão operacional, a meta era reduzir 45% da emissão de escopo 1 e 2 (base 2010) e o banco entregou 58% de redução, além de manter 100% de eletricidade renovável
- As novas metas pra 2030 (base 2025) são reduzir mais 15% na emissão de escopo 1 e 2 e mais 10% no consumo de energia, com foco em eficiência energética, retrofit de prédio e geração renovável no local
Por que importa: Superar a própria meta de emissão operacional em 13 pontos percentuais (58% entregue contra 45% prometido) é um resultado incomum nesse tipo de compromisso corporativo, mas o próprio banco reconhece que a “emissão financiada” — a pegada de carbono dos empréstimos e investimentos que ele faz, não da própria operação — continua sendo o desafio muito maior e mais difícil de resolver.
O termo “finança sustentável” do banco cobre categoria ambiental e social, não só projeto de clima — o que ajuda a explicar como o Citi consegue avançar tão rápido rumo à meta de US$ 1 trilhão sem que isso signifique necessariamente que a maior parte do dinheiro está indo pra descarbonização direta. via Carbon Credits
O que isso significa para o Brasil
No Brasil, bancos não definem sozinhos o que divulgam sobre clima. A Resolução BCB 139/2021 obriga instituições dos segmentos S1 a S4 a publicar o Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas (GRSAC), com governança, impactos potenciais sobre a estratégia e processos de gestão desses riscos. No texto original da norma, porém, a divulgação de indicadores quantitativos era opcional (art. 4º), o que deixa métricas como a emissão financiada, citada pelo próprio Citi como o desafio maior, fora do núcleo obrigatório.
Sobre o que conta como “finança sustentável”, o Brasil passou a ter uma referência oficial: o Decreto 12.705/2025 instituiu a Taxonomia Sustentável Brasileira e prevê seu uso na rotulagem de produtos financeiros, incluindo operações de crédito, com implementação gradual e relato a um sistema de monitoramento. Uma categoria ampla como a do Citi, que mistura objetivos ambientais e sociais, poderia ser confrontada com os critérios de contribuição substancial e de ausência de impacto negativo relevante previstos no art. 6º.
O Citi também aparece no programa federal de finança combinada: o Citibank apresentou proposta no 4º leilão do Eco Invest Brasil, mas seu lance não foi homologado. Ainda está em aberto quais usos da taxonomia se tornarão exigência para instituições financeiras e em que prazo.
No mercado de dívida, os green bonds bateram recorde de US$ 193 bilhões no 2º trimestre.
Ainda não existe newsletter. Deixe seu e-mail e você será avisado no dia em que existir, antes de qualquer outra pessoa.
