O minuto
- A emissão global de green bonds somou US$ 193 bilhões no 2º trimestre de 2026, alta de 2% frente ao mesmo período de 2025, novo recorde trimestral segundo a Moody’s
- A Europa respondeu por 58% da emissão do trimestre (ante 44% um ano antes), puxada por um crescimento de 34% nos títulos verdes europeus; Ásia-Pacífico caiu de 32% para 20% de participação
- Títulos azuis (blue bonds), voltados a projetos ligados a oceano e água, cresceram cerca de 6 vezes na comparação anual no primeiro semestre de 2026, somando US$ 3,7 bilhões e já superando o total de 2025 inteiro
Por que importa: O contraste entre o boom dos green bonds e o tombo de 63% nos sustainability-linked bonds (títulos atrelados a metas, não a projetos específicos) no ano mostra que o mercado está migrando pra estruturas que financiam algo concreto e verificável, não só uma promessa de meta futura.
Bonds sociais também surfaram, com alta de 18% na comparação anual, somando US$ 42 bilhões no trimestre; instituições financeiras (29%) e empresas não financeiras (26%) lideraram a emissão, enquanto agências e governos soberanos foram o motor do crescimento acumulado no ano, com alta de 22% e 15% respectivamente. via ESG Today
O que isso significa para o Brasil
O Brasil entrou nesse mercado pelo lado soberano, com títulos sustentáveis que financiam despesas ambientais e sociais identificadas. A primeira emissão, em novembro de 2023, somou US$ 2,0 bilhões no GLOBAL 2031 ESG. A terceira, em novembro de 2025, colocou US$ 1,5 bilhão no GLOBAL 2033 Sustentável, com demanda de cerca de três vezes o volume emitido.
O ponto que o post destaca, a preferência por estruturas que financiam algo verificável, aparece no segundo Relatório de Alocação e Impacto, publicado em 14 de novembro de 2025: a primeira emissão foi integralmente alocada, 60% em despesas ambientais (R$ 5,77 bilhões) e 40% em sociais (R$ 3,85 bilhões). Da segunda emissão, de junho de 2024, 25,2% foram para despesas ambientais e 40% para sociais, restando 34,5% a serem reportados na edição de 2026.
O que ainda está em aberto é a padronização do rótulo no mercado doméstico. O Decreto 12.705/2025, que instituiu a Taxonomia Sustentável Brasileira, prevê seu uso na rotulagem de produtos financeiros, incluindo títulos da dívida pública, mas com implementação gradual.
Taxonomias definem o que pode ser rotulado como verde; Hong Kong ampliou a sua para 39 atividades.
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