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Tailândia fixa 2028 como primeiro ano de relato ISSB para suas maiores listadas

Read in English → Por · Atualizado em 04/11/2026, 15:00 · ⏱ leitura de 5 min
Tailândia fixa 2028 como primeiro ano de relato ISSB para suas maiores listadas
Foto: Johannes Plenio / Pexels

O minuto

  • A Securities and Exchange Commission da Tailândia publicou regras que exigem das companhias listadas relato de sustentabilidade e clima alinhado às normas do ISSB (IFRS S1 e IFRS S2).
  • O SET50, as 50 maiores empresas da Bolsa da Tailândia, reporta primeiro, em 2028, com dados de 2027. O SET100 vem em 2029, as demais listadas no SET em 2030, e o cronograma vai até 2031 para as outras companhias listadas e entidades de investimento, incluindo a bolsa secundária mai.
  • A divulgação de emissões de GEE precisa de verificação por provedores de asseguração, conforme padrões internacionalmente aceitos. Entre os alívios de transição estão a dispensa de dados comparativos no primeiro ano, flexibilidade no prazo de relato, uso de padrões equivalentes de cálculo de GEE e isenção inicial do Escopo 3.

Por que importa: a Tailândia deixa um modelo em que cada companhia escolhia seu referencial (GRI e TCFD eram aceitos) e passa a uma base única. Para quem compra, investe ou opera no país, os dados tendem a ficar comparáveis. Só que a isenção de Escopo 3 e a exigência de asseguração apontam em direções opostas. Acho acertado colocar a verificação na frente, mas isso abre um buraco nos primeiros anos, e é esse buraco que define que informação dá para usar de fato.

O que o calendário fixa e o que deixa em aberto

O que está fixo é a ordem. O tamanho decide quem vai primeiro, e os primeiros relatórios saem em 2028, de modo que o exercício de 2027 é o que as empresas já precisam estar medindo. Quem está no SET50 tem pouco tempo para montar a coleta de dados, porque os números de 2027 precisam existir antes de a regra gerar seu primeiro relatório.

O que está em aberto é mais do que o título sugere. O material disponível não informa quanto dura o “período inicial” da isenção de Escopo 3. Não nomeia o padrão de asseguração além de “internacionalmente aceito” e não diz qual nível de asseguração se aplica. Também não detalha ano a ano as entidades das últimas faixas, além da data final de 2031. Enquanto a SEC ou a bolsa não esclarecerem esses pontos, qualquer modelo que conte com dados de Escopo 3 da Tailândia em um ano específico é palpite.

A ordem também pesa. Dados verificados de Escopo 1 e 2 chegam antes de qualquer dado de Escopo 3. Um comprador estrangeiro deve esperar que fornecedores tailandeses entreguem emissões operacionais auditadas bem antes de conseguirem dizer algo sobre a própria cadeia de valor.

Brasil: mesma direção, e uma lacuna neste texto

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também levou as companhias abertas brasileiras para um relato baseado nas normas do ISSB. Emissores tailandeses e brasileiros convergem, portanto, para a mesma base técnica. Esse é o ponto útil da comparação. Uma empresa brasileira e sua contraparte tailandesa vão, com o tempo, responder às mesmas perguntas da S1 e da S2.

O que este texto não consegue dar é o cronograma brasileiro, o nível de asseguração exigido no Brasil e o tratamento do Escopo 3 pela CVM. Esses dados não constam do material de origem, e não os estimamos. Quem precisa da comparação deve consultar a norma vigente da CVM. O que se pode afirmar com segurança é estrutural: a Tailândia montou um calendário escalonado por porte e escreveu os alívios dentro da própria regra, e qualquer comparação com o Brasil deve partir dessas duas características.

Quem ganha e quem perde

Provedores de asseguração ganham uma frente de trabalho nova e regulada, já que a verificação de dados de GEE passa a ser obrigatória para todas as companhias abrangidas. Investidores em ações tailandesas ganham comparabilidade, que os relatórios baseados em GRI e TCFD não ofereciam, pois eram difíceis de alinhar. As empresas do SET50 carregam o maior peso. Vão primeiro e têm o prazo mais curto. As listadas menores e as entidades de investimento ganham tempo, mas reportam depois que as maiores já tiverem formado a expectativa do mercado.

Perdem as empresas que dependiam da flexibilidade voluntária. Pela exigência de 2022, uma companhia tailandesa podia escolher seu referencial. Pela nova regra, essa escolha acaba para quem está no escopo.

O que isso significa para empresas brasileiras

Para exportadores e grupos brasileiros com fornecedores ou subsidiárias na Tailândia, três pontos decorrem do material. Primeiro, uma subsidiária tailandesa que seja listada, ou que pertença a um grupo tailandês listado, enfrentará o calendário de 2028 a 2031. A controladora brasileira que a consolida deve perguntar quando virão os primeiros números alinhados ao ISSB e em qual faixa ela está.

Segundo, pedidos de Escopo 3 a fornecedores tailandeses vão encontrar, por um tempo, uma população isenta dessa divulgação. Equipes de compras que precisam das emissões do fornecedor para o próprio relatório não devem presumir que o lado tailandês terá resposta pronta em 2028. Perguntar diretamente ao fornecedor e aceitar estimativas segue sendo o caminho prático até o fim do período de isenção.

Terceiro, a exigência de asseguração ajuda o comprador. Números verificados de Escopo 1 e 2 de contrapartes tailandesas virão com checagem de terceiros, o que reduz o trabalho de validação. Se determinado fornecedor está coberto depende de sua situação de listagem e da faixa, então o primeiro passo é mapear quais fornecedores entram no escopo e em que ano. Empresas brasileiras que já seguem as exigências da CVM baseadas no ISSB vão achar o formato tailandês familiar, embora calendário e alívios sejam diferentes e precisem ser confirmados no texto brasileiro.

Fonte primária: Securities and Exchange Commission da Tailândia: comunicado nº 231/2026 (28/10/2026)

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