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Créditos de Carbono

Verra lança programa Scope 3 Standard para certificar reduções de emissão em cadeias de valor

Read in English → Por Julia Santos · Atualizado em 15/09/2026, 19:30 · ⏱ leitura de 4 min
O minuto
  • A Verra lançou em 15 de setembro de 2026 o programa Scope 3 Standard (S3S), um arcabouço para quantificar, verificar e certificar reduções e remoções de emissões dentro de cadeias de valor corporativas por meio de unidades chamadas S3Us, cada uma representando uma tonelada de CO₂ equivalente.
  • A versão 1 abre com metodologias para manejo aprimorado de terras agrícolas e produção de concreto de baixo carbono; setores futuros incluem silvicultura, combustíveis industriais, superpoluentes e refrigeração.
  • O programa foi moldado por mais de 100 especialistas e testado em piloto de 2022 a 2026 com empresas como Bayer, Patagonia, 3Degrees, Rabobank, Diageo e Sodexo, e foi desenhado para ser compatível com SBTi, GHG Protocol e ISO 14060.

Por que importa: Emissões de Escopo 3 tipicamente superam 75% da pegada de carbono total de uma empresa, e mais de 40% das maiores companhias abertas do mundo têm metas net-zero que as incluem. Até agora não existia sistema independente para certificar que investimentos em descarbonização da cadeia de valor entregaram resultados mensuráveis. O S3S tenta preencher essa lacuna, e a escolha de agricultura e concreto como setores iniciais sinaliza onde a Verra enxerga os maiores volumes de emissão e a ciência de medição mais madura.

O que muda para empresas brasileiras

O Brasil é um dos maiores exportadores agrícolas do mundo, e a metodologia de manejo de terras agrícolas está entre as duas disponíveis no lançamento do S3S. Empresas brasileiras do agronegócio que fornecem para multinacionais com metas de Escopo 3 (caso de companhias como Bayer e Diageo, ambas participantes do piloto) podem ser diretamente afetadas. Se um comprador europeu ou norte-americano decidir exigir S3Us de seus fornecedores para comprovar reduções na cadeia, produtores brasileiros precisarão adaptar práticas e se submeter a verificação independente sob o programa da Verra.

Por outro lado, produtores que já adotam práticas de baixo carbono (plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta) podem se beneficiar se conseguirem registrar projetos no S3S. A possibilidade de emissão dupla (S3Us ou créditos VCS tradicionais) amplia as opções de financiamento para projetos brasileiros. Contudo, enquanto a versão 1 só permite listar projetos no registro da Verra, sem abrir validação, verificação ou emissão de unidades, nenhum benefício concreto se materializa ainda.

Como o S3S se compara ao cenário regulatório brasileiro

O Brasil está implementando o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), regulamentado pela Lei 15.042/2024. O SBCE, na sua fase inicial, foca em emissões diretas (Escopo 1) de instalações que emitem acima de limites definidos. Escopo 3 não faz parte do desenho atual do mercado regulado brasileiro. Isso significa que o S3S da Verra e o SBCE operam em camadas diferentes: o SBCE é um mercado regulado de compliance para emissões diretas, enquanto o S3S é um programa voluntário de certificação para emissões indiretas em cadeias de valor.

No campo voluntário, o Brasil tem o Programa Brasileiro GHG Protocol, que organiza inventários corporativos incluindo Escopo 3, mas não certifica reduções de emissão em projetos específicos da cadeia. A certificação de projetos de carbono no Brasil historicamente passou pelo VCS da própria Verra ou pelo Gold Standard. O S3S adiciona uma terceira via, específica para ações dentro da cadeia de valor, que não existia em nenhum programa operante no país.

O que ainda falta decidir

A versão lançada hoje permite apenas a listagem de projetos. Registro, validação, verificação e emissão de S3Us ainda não estão abertos, e a Verra não divulgou cronograma para essas etapas. Sem isso, nenhuma unidade de Escopo 3 existe de fato.

A versão 2 do programa, necessária para que empresas possam usar as unidades em seus relatórios de gases de efeito estufa e em alegações climáticas, tampouco tem data. Sem a versão 2, uma empresa que registre um projeto no S3S não pode converter os resultados em reivindicações de reporte. Para empresas brasileiras monitorando o programa, a recomendação prática é acompanhar a evolução sem assumir compromissos baseados em funcionalidades que ainda não foram entregues.

Outro ponto em aberto é a expansão de metodologias. A silvicultura está listada como setor futuro, o que interessa diretamente ao Brasil dada a relevância de florestas plantadas e nativas na matriz de emissões e remoções do país. Mas não há prazo para essa inclusão.

via Verra

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