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Créditos de Carbono

Preço do crédito de carbono sobe enquanto volume de aposentadorias cai no Q3, aponta Sylvera

Read in English → Por · Atualizado em 07/10/2026, 16:30 · ⏱ leitura de 4 min

O minuto

  • As aposentadorias de créditos de carbono somaram 30,6 milhões no Q3 2026, queda de 9% frente aos 33,7 milhões do mesmo período de 2025, enquanto o valor total subiu de US$ 190,6 milhões para US$ 211,8 milhões, segundo a Sylvera.
  • O preço médio por crédito aposentado subiu de US$ 5,66 para US$ 6,92 na comparação anual; créditos com rating BBB ou superior representaram 18% do volume aposentado com rating, mas geraram 42% do valor de mercado correspondente.
  • Créditos REDD+ com rating BBB+ atingiram média de US$ 7,75 por tonelada (alta de 58% em um ano), e a diferença de preço entre REDD+ de maior e menor rating quase dobrou, de US$ 2,20 para US$ 4,19.

Por que importa: O mercado voluntário está se dividindo em duas faixas. Créditos baratos, concentrados em projetos de energia renovável com questionamentos sobre adicionalidade, seguem fornecendo volume. Créditos de maior rating, em categorias como florestas e agricultura, absorvem parcela desproporcional do gasto corporativo. Para países hospedeiros de projetos e para desenvolvedores, essa reconfiguração define quem atrai capital e quem enfrenta demanda declinante.

O que muda para projetos e empresas no Brasil

O Brasil é citado pela Sylvera como um dos países com atividade de aposentadoria em REDD+, ao lado de Colômbia, Camboja, Peru e República Democrática do Congo. A alta de 58% no preço médio de créditos REDD+ com rating BBB+ (de US$ 4,90 para US$ 7,75 por tonelada) é diretamente relevante para desenvolvedores brasileiros de projetos florestais na Amazônia e no Cerrado. Projetos que consigam obter ratings elevados em sistemas como o da própria Sylvera passam a capturar um prêmio crescente, enquanto projetos com ratings mais baixos competem numa faixa de preço comprimida (US$ 3,56 por tonelada no Q3).

Para empresas brasileiras compradoras, a lógica é semelhante. Quem utiliza créditos voluntários para compensação e seleciona projetos de menor rating poderá enfrentar maior escrutínio de investidores e auditorias ESG, especialmente num contexto em que o ICVCM (Integrity Council for the Voluntary Carbon Market) ganha relevância como filtro de qualidade. A CEEZER, em relatório paralelo, encontrou que créditos com selo CCP (Core Carbon Principles) carregavam prêmio de 48% sobre o mercado mais amplo, contra cerca de 5% um ano antes.

O mercado regulado brasileiro e o mercado voluntário global

O Brasil está implementando seu mercado regulado de carbono (SBCE, Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa), que terá regras próprias de alocação, setores cobertos e critérios de elegibilidade. Esse sistema regulado opera em lógica diferente do mercado voluntário analisado pela Sylvera: no SBCE, a oferta de permissões é definida pelo governo, e a demanda vem de obrigações legais de redução. No mercado voluntário, compradores escolhem livremente entre milhares de projetos com ratings e preços variados.

A tendência de qualidade identificada pela Sylvera no voluntário pode influenciar o regulado brasileiro de forma indireta. Se o SBCE permitir o uso limitado de créditos voluntários para cumprimento de obrigações (ponto ainda em definição regulatória), a exigência de ratings mínimos ou selos de integridade pode se tornar um filtro de entrada. Sem esse filtro, o risco é que créditos de baixa qualidade migrem para o mercado regulado buscando um comprador cativo.

Quem ganha e quem perde

Ganham os desenvolvedores de projetos com forte adicionalidade e monitoramento robusto, especialmente em REDD+, reflorestamento (ARR, com média de US$ 23,47 por tonelada para BBB+) e manejo florestal melhorado (IFM, com média de US$ 21,07 para BBB+). Ganham também os sistemas de rating e certificação, cuja relevância cresce à medida que compradores demandam diferenciação.

Perdem os projetos de energia renovável conectados à rede que enfrentam questionamentos de adicionalidade. A Sylvera não classifica projetos renováveis acima de C, e essa categoria respondeu por 76% do volume aposentado com rating B/C/D no Q3. Aposentadorias de renováveis no ano completo caíram de um pico de 99,7 milhões em 2022 para 49,3 milhões em 2025. Perdem também compradores corporativos que construíram estratégias de compensação baseadas em volume de créditos baratos: a Shell, por exemplo, aposentou apenas cerca de 496 mil créditos nos primeiros três trimestres de 2026, contra cerca de 7 milhões no mesmo período de 2025.

A agricultura emergiu como uma categoria em expansão, com sua fatia de aposentadorias saltando de 2,55% para 7,82% no Q3. Empresas de energia e utilities direcionaram 28% de suas aposentadorias no trimestre para agricultura, contra 6,8% um ano antes. Para o Brasil, que tem escala em créditos ligados a práticas agrícolas regenerativas e manejo de solo, esse movimento pode abrir uma frente adicional de receita, desde que os projetos atendam aos critérios de qualidade que o mercado está priorizando.

via CarbonCredits.com

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