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Energia renovável para empresas: como contratar

Read in English → Por · Atualizado em 01/10/2026, 03:36 · ⏱ leitura de 7 min
Energia renovável para empresas: como contratar e o que muda na conta

O minuto

  • Mercado livre: negocia direto com o gerador ou a comercializadora; hoje aberto a todo o Grupo A (média e alta tensão)
  • Geração distribuída: usina solar própria, remota ou por assinatura, com crédito de energia na conta
  • Certificados (I-REC): compra do atributo renovável quando não dá para trocar a fonte

Por que importa: Energia é a via mais rápida de reduzir emissões de verdade, em vez de compensar depois; no Brasil o ganho é menor porque a matriz já é limpa, mas a economia financeira costuma pagar a conta.

As três rotas

No mercado livre, a empresa escolhe o fornecedor e negocia preço, prazo e fonte em contrato. Na geração distribuída, uma usina conectada à rede da distribuidora abastece a unidade ou gera créditos de energia. Os certificados registram o atributo renovável de uma energia gerada e servem para reportar escopo 2 quando as outras rotas não são viáveis. As três podem ser combinadas.

Rota 1: mercado livre de energia

No Ambiente de Contratação Livre, o consumidor compra energia diretamente de geradores ou comercializadoras, com contratos registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), responsável pelo registro, pela contabilização e pela liquidação das operações. A distribuidora local continua entregando a energia pela rede e cobra a tarifa de uso do sistema de distribuição.

Quem pode migrar: desde 1º de janeiro de 2024, pela Portaria MME 50/2022, todos os consumidores do Grupo A, conectados em tensão igual ou superior a 2,3 kV, podem escolher o fornecedor, independentemente do volume consumido. Segundo o Ministério de Minas e Energia, se a carga individual for menor que 500 kW, a participação exige a intermediação de um agente varejista (comercializadora varejista), que representa o consumidor perante a CCEE. O mesmo ministério informa que, pelo Decreto 13.097/2026, a abertura chega à baixa tensão em novembro de 2027 para consumidores industriais e comerciais e em novembro de 2028 para os demais, inclusive residenciais.

Como contratar energia renovável no mercado livre: peça contrato com fonte especificada (eólica, solar, hídrica, biomassa) e comprovação do atributo, normalmente por certificado vinculado ao contrato. Sem essa comprovação, o contrato reduz custo, mas não necessariamente o escopo 2 pelo método de escolha de compra.

Rota 2: geração distribuída

A Lei 14.300/2022 é o marco legal da micro e minigeração distribuída. Microgeração é a central de até 75 kW; minigeração vai acima de 75 kW até 5 MW para fontes despacháveis e até 3 MW para não despacháveis, como a solar. A energia injetada na rede entra no Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e vira crédito para abater o consumo. Modalidades úteis para empresas:

Atenção à transição tarifária: para unidades que não se enquadram na regra de direito adquirido do art. 26, a lei prevê cobrança crescente sobre a energia compensada de componentes da tarifa de distribuição: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028, passando à regra definitiva a partir de 2029 (art. 27). Toda proposta de geração distribuída deve mostrar o retorno já considerando essa curva.

Rota 3: certificados de energia renovável

O I-REC é um padrão internacional de rastreamento de atributos de energia: cada certificado representa 1 MWh gerado por uma usina renovável identificada. A empresa compra o certificado e o aposenta em seu nome, o que permite reportar aquele consumo como renovável no método de escolha de compra. É a rota mais simples e a única viável para quem está em baixa tensão, aluga escritório em prédio comercial ou não tem espaço para usina.

Para que o certificado conte no inventário, o Scope 2 Guidance do GHG Protocol exige critérios de qualidade, como mesmo mercado do consumo, safra compatível com o período reportado e aposentadoria em nome do consumidor.

O efeito no inventário

Contratar renovável reduz o escopo 2 pelo método de escolha de compra. Pelo método de localização, o fator do Sistema Interligado Nacional publicado pelo MCTI continua o mesmo, e é por isso que o GHG Protocol exige reportar os dois métodos onde existem instrumentos contratuais, como no Brasil. Veja como fazer a conta em como calcular a pegada de carbono da empresa.

Passo a passo para contratar

  1. Levante o perfil de consumo. 12 contas de energia por unidade: consumo em kWh, demanda contratada, tensão de fornecimento e grupo tarifário. Sem esses números, nenhuma proposta é comparável.
  2. Descubra a rota possível para cada unidade. Grupo A pode ir ao mercado livre; baixa tensão hoje depende de geração distribuída ou certificados.
  3. Peça pelo menos três propostas. Compare preço por MWh, prazo, reajuste, flexibilidade de volume, multa de rescisão e garantias exigidas.
  4. Verifique o contrato atual com a distribuidora. A migração ao mercado livre exige respeitar os prazos de aviso e as condições do contrato vigente.
  5. Exija a comprovação do atributo renovável. Contrato com fonte especificada ou certificados aposentados em nome da empresa.
  6. Atualize o inventário. Reporte o escopo 2 pelos dois métodos e guarde os comprovantes.

Exemplo: empresa com unidades em tensões diferentes

Uma rede de varejo tem um centro de distribuição atendido em média tensão (Grupo A) e vinte lojas em baixa tensão, todas na área da mesma distribuidora. Uma combinação possível:

No inventário, a empresa reporta o escopo 2 pelos dois métodos e anexa contratos, faturas de compensação e comprovantes de aposentadoria dos certificados.

Erros comuns

Energia renovável é um dos critérios pontuados nas certificações verdes de construção LEED e EDGE.

Entre grandes compradores, o contrato geotérmico do Google com a Fervo mostra como contratos de longo prazo viabilizam fontes firmes de energia limpa.

Perguntas frequentes

Qualquer empresa pode ir para o mercado livre?

Hoje, qualquer unidade do Grupo A (2,3 kV ou mais), com intermediação de comercializadora varejista se a carga for menor que 500 kW. A baixa tensão industrial e comercial está prevista para novembro de 2027, segundo o MME.

Certificado renovável reduz minha emissão real?

Reduz o número reportado pelo método de escolha de compra. A emissão física do sistema elétrico não muda com o certificado.

Vale mais economia ou marketing?

Na maioria dos casos a decisão se paga pela economia na conta; o ganho reputacional vem junto.

Posso usar uma usina para abastecer filiais em outros estados?

No autoconsumo remoto, só se todas as unidades forem atendidas pela mesma distribuidora.

Leia também: o que é escopo 2.

Leia também: como descarbonizar a frota.

Fontes primárias: Mercado livre de energia: migração e regras de contratação (Ministério de Minas e Energia, agosto de 2026); Portaria MME 50/2022 e abertura para o Grupo A (Ministério de Minas e Energia); Marco legal da micro e minigeração distribuída, Lei 14.300/2022 (Presidência da República, 2022); GHG Protocol Scope 2 Guidance, em inglês (WRI/WBCSD, 2015); Padrão internacional I-REC, em inglês (I-TRACK Foundation); Fatores de emissão do Sistema Interligado Nacional (MCTI, SIRENE).

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