O minuto
- O contrato inicial é de 396 MW gerados na usina Cape Station, em Beaver County, Utah, com opção de expandir em mais ~600 MW até junho de 2030, somando quase 1 GW no total
- A Cape Station deve entregar a primeira energia em 2026, com cerca de 100 MW operacionais já no início de 2027
- É classificado como o maior PPA de geotermia aprimorada (EGS) já fechado globalmente, um marco pra comercialização dessa tecnologia; as ações da Fervo Energy subiram 25% após o anúncio
Por que importa: A demanda de eletricidade do Google subiu 37% em 2025 por causa da expansão de data center pra IA, mesmo assim a empresa conseguiu reduzir 2% da emissão de escopo 1 e 2 via programa de compra de energia limpa — mas a própria empresa reconhece que a meta de “energia livre de carbono 24/7” está cada vez mais difícil de bater com a infraestrutura de IA crescendo mais rápido que a descarbonização da rede elétrica.
Geotermia aprimorada (EGS) usa fratura hidráulica pra acessar calor da Terra em profundidades onde a geotermia convencional não funciona, o que abre um tipo de energia limpa disponível 24 horas — diferente de solar e eólica, que dependem do clima — e esse contrato é o maior sinal até agora de que grandes compradores corporativos estão apostando nisso em escala. via ESG Today
O que isso significa para o Brasil
No Brasil, a pergunta sobre como abastecer data centers com energia limpa virou exigência legal há poucas semanas. A Lei 15.504, de 15 de setembro de 2026, que criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), condiciona a habilitação ao compromisso de atender a totalidade da demanda de energia elétrica com contratos de suprimento ou autoprodução de fontes renováveis ou de baixa emissão.
A lei também exige Índice de Eficiência Hídrica (WUE) igual ou inferior a 0,05 L/kWh, com aferição anual, disponibilização de no mínimo 10% da capacidade instalada ao mercado interno e investimento de 2% do valor dos produtos adquiridos com o benefício em pesquisa e desenvolvimento.
A diferença em relação ao contrato do Google está no critério: o texto legal fala em contratos ou autoprodução e não menciona correspondência horária entre consumo e geração, que é o ponto central da meta de energia livre de carbono 24/7 e o motivo do interesse por fontes firmes como a geotérmica. O que conta como fonte “de baixa emissão” e quais indicadores de sustentabilidade serão exigidos ficaram para o regulamento, ainda não publicado nas fontes consultadas. Esse detalhe define se fontes fósseis de menor emissão poderão atender ao requisito.
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