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Créditos de Carbono

Preços de créditos de carbono em 2026: quanto se paga

Read in English → Por · Atualizado em 12/10/2026, 20:24 · ⏱ leitura de 3 min
Gráficos financeiros, calculadora e lupa sobre a mesa
Foto: Hanna Pad / Pexels

O minuto

  • Créditos de emissão evitada são a faixa mais barata: nos dados de preço da Senken para 2026, o REDD+ amazônico começa perto de EUR 12 por tonelada
  • Remoções de engenharia ficam no outro extremo: captura direta de ar passa de EUR 1.000 por tonelada
  • Uma carteira corporativa típica fica entre EUR 25 e EUR 80 por tonelada, conforme a fatia de remoção durável, segundo a mesma análise

Por que importa: não existe um preço único do carbono. O que se paga depende do tipo de projeto, da nota de qualidade e da safra, e confundir esses três é o caminho mais rápido para pagar caro ou comprar um crédito que ninguém respeita.

As três perguntas que definem o preço

1. O que o crédito faz? Créditos de emissão evitada (floresta que não é derrubada, aterro que captura metano) são mais baratos porque o carbono nunca chegou à atmosfera. Créditos de remoção (reflorestamento, biochar, captura direta) tiram carbono de circulação, custam mais e são o que os padrões de net zero passaram a exigir. A Ecosystem Marketplace constatou que, em 2024, créditos de remoção custaram em média 381% mais que créditos de redução.

2. Qual a qualidade do projeto? As notas de agências independentes como BeZero, Sylvera e Calyx Global viraram a moeda real do mercado. Projetos bem avaliados sustentam preço, enquanto projetos antigos e mal avaliados não encontram comprador a preço nenhum.

3. Quando a redução aconteceu? É a safra (vintage). Nos dados da Senken, safras recentes (2023 em diante) valem de 20% a 40% mais que safras de 2018 a 2020 da mesma metodologia, ainda que o ICVCM não trate safra como critério de qualidade. O mercado precifica a percepção, não a regra.

O que isso significa na prática

Uma empresa que compensa 1.000 toneladas pode gastar de cerca de EUR 12 mil a mais de EUR 1 milhão pela mesma frase de marketing. O jeito honesto de orçar é definir primeiro a composição da carteira (quanto de evitada, quanto de remoção, qual nota mínima) e só depois pedir preço.

No Brasil a conta está mudando: o mercado regulado criado pela Lei 15.042/2024 vai puxar demanda interna para uma oferta que hoje é vendida quase toda para fora, e isso tende a empurrar preços para cima, não para baixo.

Fontes: Senken, preços de créditos de carbono em 2026; Ecosystem Marketplace, State of the Voluntary Carbon Market 2025; Core Carbon Principles do ICVCM.

Grandes emissores seguem comprando: a BHP recorreu a créditos depois que a emissão subiu junto com o lucro.

Perguntas frequentes

Por que o preço do crédito de carbono varia tanto?

Porque tipo de projeto, safra e qualidade diferem muito, de cerca de EUR 12 em créditos de emissão evitada como REDD+ a mais de mil euros em remoção por engenharia.

Preço do mercado regulado é diferente do voluntário?

Sim, mercados regulados como o EU ETS tendem a ter preço mais previsível e padronizado, definido por oferta e demanda de cota sob teto regulatório.

O crédito mais barato é sempre o melhor negócio?

Não necessariamente; preço muito baixo costuma ser sinal pra checar registro, safra e adicionalidade antes de comprar.

Fontes primárias: State of the Voluntary Carbon Market 2025, em inglês (Ecosystem Marketplace, 2025); State and Trends of Carbon Pricing 2026, em inglês (Banco Mundial, 2026); Os Core Carbon Principles, em inglês (ICVCM, 2023); Lei 15.042/2024, que institui o SBCE, texto oficial (Presidência da República, 2024).

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