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Créditos de Carbono

BHP: lucro sobe 30%, emissão sobe e a saída é crédito

Read in English → Por · Atualizado em 01/10/2026, 03:36 · ⏱ leitura de 2 min
Lucro da BHP sobe 30% com emissão subindo, e a saída é crédito de carbono

O minuto

  • O lucro básico atribuível da BHP subiu 30% no ano fiscal de 2026, para US$ 13,2 bilhões, com o cobre representando mais da metade do resultado operacional pela primeira vez
  • A emissão operacional de escopo 1 e 2 subiu 1%, para 9,4 milhões de toneladas de CO2e, mesmo estando 33% abaixo da referência do ano fiscal de 2020 da empresa
  • A BHP agora estima precisar de 3 a 5 milhões de toneladas de crédito de carbono para compensar a emissão residual que não consegue eliminar até a meta de net zero de 2050

Por que importa: Um salto de lucro de 30% ao lado de uma emissão que sobe 1% é exatamente o padrão que reguladores e investidores são treinados a questionar: crescimento que passa na frente da descarbonização, com crédito de carbono fazendo o trabalho que a mudança operacional ainda não alcançou.

A BHP diz que sistemas de mineração elétricos a bateria só terão implantação ampla depois de 2030, e a empresa espera precisar de pelo menos US$ 4 bilhões em gasto incremental nessa década só para manter o plano de descarbonização no rumo. via Carbon Credits

O que isso significa para o Brasil

Uma mineradora com o perfil da BHP no Brasil entraria no radar do mercado regulado. Pela Lei 15.042/2024, operadores de instalações que emitem acima de 25 mil tCO2e por ano ficam sujeitos à conciliação periódica de obrigações (art. 30), ou seja, precisam entregar ativos em quantidade equivalente às emissões do período (art. 34), desde que exista metodologia consolidada de mensuração para a atividade.

A saída pelo crédito de carbono tem limite no desenho brasileiro. O art. 12 permite usar Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVEs) na conciliação, mas até um percentual máximo definido no Plano Nacional de Alocação, e só de metodologias credenciadas. Isso restringe a estratégia de cobrir crescimento de emissão com compensação, justamente o ponto que o post aponta como o mais questionável.

O ritmo também é gradual: o art. 50 prevê uma fase de regulamentação, um ano para operacionalizar o relato e dois anos só de monitoramento e relato antes do primeiro plano de alocação. O percentual máximo de CRVEs, as atividades cobertas e as metodologias aceitas ainda dependem do órgão gestor, função exercida pela Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (Decreto 12.677/2025).

Na mineração de minerais críticos, a USA Rare Earth comprou a Serra Verde por US$ 2,8 bi.

No Brasil, o Congresso aprovou o marco legal dos minerais críticos.

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