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Créditos de Carbono

Verra emite primeiros creditos de carbono para arroz sob metodologia VM0051

Read in English → Por · Atualizado em 13/10/2026, 15:00 · ⏱ leitura de 3 min

O minuto

  • A Verra aprovou os primeiros creditos de carbono sob a metodologia VM0051 para manejo melhorado de arroz, gerados pelo projeto Core Carbon Sustainable Rice Productions 01 (VCS Project 3243) em Telangana, India.
  • O projeto evitou mais de 210.000 toneladas de CO2 equivalente ao substituir inundacao continua por irrigacao alternada (AWD), tecnica que reduz emissoes de metano em arrozais.
  • Outros 13 projetos usando a VM0051 estao em desenvolvimento ou validacao em paises como India, Brasil, Vietna, Filipinas, Indonesia, Tailandia, Malasia, Mianmar e Madagascar.

Por que importa: O cultivo de arroz inundado e uma das maiores fontes de metano agricola no mundo. Ate agora, projetos no setor arrozeiro tinham acesso limitado a mecanismos crediveis de credito de carbono. A aprovacao dos primeiros creditos sob a VM0051 sinaliza que metodologias voltadas ao metano do arroz podem sair do estagio piloto para escala operacional, potencialmente abrindo financiamento de carbono para milhoes de pequenos produtores na Asia, America Latina e Africa.

O que muda para o Brasil

O Brasil e um dos nove paises com projetos VM0051 ja em desenvolvimento, segundo o registro da Verra. O Rio Grande do Sul concentra a maior parte da producao nacional de arroz irrigado por inundacao, exatamente o sistema que a metodologia visa transformar. Produtores gauchos que adotarem AWD ou outras praticas cobertas pela VM0051 passam a ter, pela primeira vez, um caminho validado pela Verra para gerar creditos de carbono no mercado voluntario.

No mercado regulado brasileiro, o Sistema Brasileiro de Comercio de Emissoes (SBCE), instituido pela Lei 15.042/2024, ainda nao definiu se e como creditos de projetos agricolas serao aceitos para compensacao. A regulamentacao pelo Comite Interministerial sobre Mudanca do Clima (CIM) e pela futura autoridade de mercado ainda esta em elaboracao. Isso significa que, por enquanto, creditos de arroz gerados sob VM0051 teriam liquidez apenas no mercado voluntario, sem equivalencia direta no sistema regulado nacional.

Quem ganha e quem fica pressionado

Os maiores beneficiados sao pequenos e medios rizicultores que agora podem monetizar a adocao de praticas de baixo carbono. Desenvolvedores de projetos de carbono agricola tambem ganham uma metodologia robusta e replicavel. Os 13 projetos ja no pipeline da Verra indicam que pioneiros estao se posicionando rapidamente.

Do outro lado, empresas na cadeia do arroz (beneficiadoras, exportadoras, marcas de alimentos) que ainda nao engajaram na reducao de metano no campo podem ficar atras de concorrentes que garantiram acesso antecipado a esses creditos. Compradores corporativos que concentram suas compensacoes em creditos florestais ou de energia renovavel tambem podem enfrentar pressao para diversificar portfolios, especialmente a medida que agencias de rating ESG passam a valorizar creditos de metano agricola.

O que ainda nao esta decidido

Varias questoes em aberto vao determinar se a VM0051 escala de forma significativa. Primeiro, monitoramento de permanencia: o AWD exige adesao continua do agricultor, e a abordagem da metodologia para reversoes em milhares de parcelas ainda nao foi testada em larga escala. Segundo, precificacao: nao esta claro onde creditos de metano de arroz serao negociados em relacao a outros creditos de reducao, e se a parcela de receita que chega ao produtor sera suficiente para sustentar a mudanca de pratica sem subsidios continuos do proponente do projeto. Terceiro, infraestrutura de MRV (medicao, relato e verificacao): medir niveis de agua e fluxo de metano em arrozais dispersos e mais complexo do que monitorar um parque eolico, e o custo pode limitar a expansao em regioes de menor renda. Por fim, a interacao entre creditos voluntarios sob o VCS e mecanismos de conformidade (como o Artigo 6 do Acordo de Paris e o proprio SBCE) permanece indefinida para projetos do setor arrozeiro, deixando risco regulatorio para quem entrar primeiro.

via Verra

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