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TotalEnergies e KKR ampliam joint venture solar nos EUA com portfólio de US$ 1,2 bilhão

Read in English → Por · Atualizado em 12/10/2026, 18:00 · ⏱ leitura de 4 min

O minuto

  • TotalEnergies e KKR adicionaram 700 MW de ativos solares de grande escala no Texas e em Ohio à joint venture de renováveis nos EUA, com valor de empresa de US$ 1,2 bilhão.
  • A expansão aumenta o portfólio conjunto em 50% em relação aos 1,3 GW mais 140 MW de geração distribuída adquiridos quando a KKR comprou 50% de participação no ano passado.
  • Os três novos projetos solares devem entrar em operação comercial até o primeiro trimestre de 2027, com a eletricidade já vendida a terceiros ou a ser comercializada pela TotalEnergies.

Por que importa: O negócio exemplifica um modelo de reciclagem de capital que está se tornando padrão entre grandes empresas de energia: construir ativos renováveis, trazer um parceiro financeiro quando se aproximam da operação comercial e realocar o capital liberado em novos projetos. A TotalEnergies detém mais de 37 GW de capacidade renovável bruta e mira mais de 100 TWh de produção líquida de eletricidade até 2030. A KKR, por sua vez, acumula transações em infraestrutura limpa, incluindo uma plataforma de US$ 1,3 bilhão com o SK Group e a aquisição do negócio de renováveis da EDF na América do Norte em julho por US$ 4,2 bilhões.

O que muda para o setor solar brasileiro

O modelo de reciclagem de capital da TotalEnergies (construir, operar, vender participação) já é praticado no Brasil por empresas como a própria TotalEnergies (que opera no país via participação em ativos solares e eólicos) e por desenvolvedoras locais que buscam parceiros financeiros após a entrada em operação. A diferença está na escala e na liquidez do mercado secundário de ativos renováveis. Nos EUA, fundos de infraestrutura como a KKR conseguem precificar e absorver portfólios de centenas de megawatts em transações únicas. No Brasil, o mercado secundário de ativos solares existe, mas as transações tendem a ser menores e menos frequentes, com avaliações mais dependentes de contratos de longo prazo no ambiente regulado (ACR) ou no mercado livre (ACL).

A valoração implícita de aproximadamente US$ 1,71 milhão por MW nesta transação serve como ponto de referência, mas não é diretamente transponível ao contexto brasileiro. Os custos de construção, perfil de radiação solar, estrutura tributária, risco cambial e arcabouço regulatório (ANEEL, leilões do ACR, regras do ACL) produzem valuations diferentes. Não há um dado público consolidado e atualizado de preço por MW em transações secundárias de usinas solares no Brasil que permita uma comparação precisa neste momento.

O que ainda não está decidido

O anúncio deixa questões em aberto. Os três projetos ainda não estão em operação comercial, com previsão para o primeiro trimestre de 2027. Até lá, permanecem riscos de construção, prazos de interconexão e possíveis atrasos regulatórios. O comunicado informa que a eletricidade está “já vendida a terceiros ou será comercializada pela TotalEnergies,” o que significa que nem todo o offtake está garantido por contratos de compra de energia (PPAs). Projetos sem compradores contratados enfrentam risco de preço no mercado spot, especialmente no Texas (ERCOT), onde os preços no atacado podem ser voláteis e eventos de preço negativo em horários de pico solar têm se tornado mais frequentes.

Resta também saber até onde essa joint venture vai escalar. A TotalEnergies costuma vender até metade de seus ativos renováveis ao atingirem operação comercial. Se esse padrão se mantiver, o portfólio atual é um indicador de pipeline, não um teto. Se a KKR continuará a absorver futuras cessões de ativos depende dos retornos, do ciclo de vida dos fundos e de como o ambiente de taxas de juros afeta as avaliações de infraestrutura.

Quem ganha e quem enfrenta pressão

A TotalEnergies ganha liquidez imediata. Vender 50% de participação em ativos em operação ou próximos disso libera capital sem perder o controle operacional, já que a empresa continuará operando os projetos. Esse modelo permite à TotalEnergies manter seu pipeline de desenvolvimento em escala sem carregar o custo total de cada megawatt no balanço. A KKR obtém exposição a fluxos de caixa solares contratados ou quase contratados, perfil que se encaixa nas expectativas de risco-retorno de investidores de fundos de infraestrutura que buscam rendimento previsível com alguma exposição a preços de mercado.

Desenvolvedores solares independentes nos EUA podem sentir pressão competitiva. Quando uma major com o balanço da TotalEnergies e uma gestora de private equity com a base de capital da KKR adquirem e operam projetos de grande escala conjuntamente, podem aceitar retornos mais apertados e prazos mais longos que desenvolvedores menores. Isso comprime margens em todo o setor. Do outro lado, fornecedores de equipamentos e construtoras (EPC) se beneficiam do sinal de que a implantação solar de grande escala nos EUA continua atraindo capital comprometido.

via ESG Today

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